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O Adeus como uma morte paradoxal.

Postado por Marlon Marques. 24 de maio de 2011


por Marlon Marques.


















Um adeus costuma conter um tempo infinito em si. Possui uma dimensão estranha de eternidade. Adeus é definitivo demais. Geralmente quem diz costuma estar convicto – será? Para quem ouve é como um abismo. É também uma convicção, mas uma convicção perversa e dolorida. Um adeus costuma conter em si solidão. Paisagens gélidas e campos desolados. Vazios que nunca serão preenchidos. É uma mistura de prisão e de privação. E como tudo isso nos torna impotentes. Ver partindo e nada fazer. É uma espécie de cais. Onde você apenas olha o barco indo, e indo, rumo a mares distantes e incertos – com a certeza da partida e de que não haverá volta. São forças indomáveis demais, são arrasadoras como destinos, como tempestades solares. E eu me sinto uma pequena casa no meio de tudo isso – recolhendo os móveis quebrados, os cacos de pratos no chão, enxugando lágrimas que escorrem do telhado. Olhando velhos corredores, ouvindo ecos de felicidade e sentindo fundo. Um adeus pode ser como a morte, sem volta. Mas eu não quero! Eu tenho muito medo de sofrer sempre. O medo natural de se apegar e depois ter que perder, de novo. Qual é a novidade em tudo isso, me diz? Observo em você um sorriso louco e incerto. Tenho cuidado em você, você sabe disso. Tenho receio que você caia. E sem dó alguma você me diz adeus e se virá rumo a sua estrada. Não olha para trás. Não vê no relógio o tempo se esvaindo. Não vê meu rosto na sombra. O que eu posso fazer?

































Agora estou aqui debruçado sob essas grades azuis enferrujadas e sangrentas. Eu, o tempo e minha dor. Na insanidade da solidão eu te vejo. Seu armário permanece fechado, hermeticamente. Seus passos de balé ainda deixam rastros com perfume de rosas. Que horrível, são rosas negras! Tudo está tão acabado e obscurecido por aqui. As paredes me prendem como num pesadelo, mas eu não posso acordar, a noite não tem fim, suas mãos são geladas, sem vida. No fundo do túnel eu grito seu nome – mas você está tão longe que não é mais capaz de me ouvir. É tão definitivo. Um adeus é uma morte. Uma morte pronunciada, mas que não mata logo, deixa sangrar e sofrer. Um adeus é cruel – por isso eu te peço, nunca se despeça de mim, mesmo que vá – pois sem morrer, tenho alguma certeza de que posso viver.


























































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Ensaio fotográfico e texto de Marlon Marques.


2 comentários

  1. Tawane Says:
  2. Grande Marlon! É impressionante a forma como algumas pessoas fazem falta e isso vc soube descrever perfeitamente. Lindas fotografias!

     
  3. Dani Says:
  4. Só agora dei atenção a esse texto. Ele realmente ficou muito bom.

     

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