
“Só é digno da liberdade, como da vida, aquele que se empenha em conquistá-la”
Johann Goethe
Por Isabele Martini.
A revolta egípcia iniciada no começo do ano está cada vez mais intensa e conhecida no mundo todo. A mídia, representada por um batalhão de fotógrafos e jornalistas, invade o país a procura de informações sobre a luta pela democracia, ação seguida por milhares de cidadãos que exigem os direitos considerados roubados pelo governo.
O ponto do conflito se concentra na derrubada de um dos mais poderosos chefes de Estado do Oriente Médio, Hosni Mubarak,que governa desde 1981. Militar, e com grande fama de ditador, Mubarak enfrenta forte pressão nacional e internacional, e mesmo afirmando que quer abandonar o governo, teme com os conflitos que possam acontecer futuramente.
O Egito atravessa um momento difícil, enfrentando diversos problemas como o desemprego, a censura, e a corrupção.A pressão internacional se destaca, pois muitos temem que o país caia nas mãos de poderes islamistas.Considerado como o país mais populoso da região, o Egito é administrador do Canal de Suez (essencial para o abastecimento de petróleo dos países desenvolvidos) e aliado de países ocidentais.Com a saída de Hosni, a disputa pelo controle do Estado causa preocupação, pois de um lado se encontra a Irmandade Mulçumana(força oposicionista da qual se originou a facção palestina Hamas),e do outro Mohamed ElBarade (ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atômica,ligada à ONU).
Nesse gigante conflito, muitas pessoas já morreram, e já passam de 600 o número de feridos. A mídia também sofre com perseguições de manifestantes à favor do governo ditatorial. Um exemplo, é o jornalista da televisão sueca Bert Sundström, que ficou gravemente ferido após sofrer múltiplas facadas.
A tensão Egípcia é clara,e custa caro. Muito caro. Mortes, torturas, perseguições, lutas...
Seria esse o preço da liberdade?
Ao decorrer do ano de 2010, surgiram diversas reportagens, críticas e discussões sobre o Wikileaks. Mas o que é o Wikileaks, e qual a razão dele estar entre os tops dos assuntos mais comentados do ano?
O que é?
Sediada na Suécia e dirigida por indivíduos de diferentes nacionalidades, a organização Wikileaks foi fundada em 2006. Considerada como uma entidade autoregulada, publica informações, fotos, e documentos sigilosos de empresas e governos. Nos últimos meses, divulgou documentos secretos da diplomacia americana, se tornando uma grande pedra no sapato estadunidense.
Quem é Julian Assange?
Julian Assange é um australiano criador e o principal responsável pela divulgação dos documentos. Considerado como hacker, Assange já invadiu diversos sistemas (como por exemplo, o do Instituto de Tecnologia Royal Melbourne em 1991), e já foi acusado por 20 delitos da mesma "área",sendo condenado apenas a pagar uma multa de 2,1 mil dólares australianos sob a condição de que não voltaria a cometer outros crimes.
Em 2006, Julian abandonou a Universidade de Melbourne, onde estudava matemática e física, e fundou o Wikileaks com o objetivo de publicar informações filtradas de "regimes opressores" e do Oriente Médio, sem deixar escapar as "condutas pouco éticas" de países do Ocidente.O site é mantido por centenas de voluntários e uma equipe de poucos membroscom dedicação exclusiva. Conhecidos apenas pelas iniciais, eles se comunicam por meio de mensagens criptografadas.
Qual a razão do 'sucesso' ?
O Wikileaks ganhou conhecimento mundial após publicar milhares de documentos secretos do exército dos Estados Unidos sobre a invasão do Afeganistão. Não se sabe como o site conseguiu essas informações, já que todas as fontes para o funcionamento do mesmo partem do anonimato. Além disso, documentos secretos acerca da Guerra do Iraque também foram divulgados, relatando mortes de civis, crimes de guerra e uma possível colaboração entre o serviço Secreto do Paquistão (aliado dos EUA) e o Talibã ( movimento fundamentalista islâmico nacionalista) em ataques contra militares da coligação da OTAN no Afeganistão. Para quem não se lembra, a OTAN em acordo com o governo Afegão, invadiu o país com o intuito de “devolver a responsabilidade de segurança”, ou seja, combater a ação Talebã. Seria esta a razão exata considerando o Afeganistão como um dos principais pontos estratégicos do Oriente Médio? Enfim.
O Brasil está envolvido nas informações divulgadas pelo Wikileaks?
Sim. Os relatórios da diplomacia americana no período de 1966 a 2010 registram a comunicação entre embaixadas americanas em diversos países, incluindo o Brasil. Entre as revelações feitas destacam-se:
- A apreensão de pessoas ligadas ao terrorismo pela Polícia Federal Brasileira, que os “libertou” acusando-os de crimes que não eram relacionados ao tema para evitar a estigmatização da comunidade muçulmana do Brasil, ou prejudicar a imagem do território como um destino turístico;
- Um relatório secreto sobre o descobrimento de munição com urânio empobrecido em um armazém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e da existência de explorações ilegais de diversos minerais, entre eles o urânio, no norte do Brasil,em poder de grupos como as Farc;
- Suposta participação da presidente eleita, Dilma Rousseff, em assaltos a bancos e ações armadas durante o regime militar.
Análise do tema
O vazamento de assuntos considerados secretos para a Diplomacia Americana nos coloca em uma situação de análise dos dois lados da moeda. Seria esse um argumento para a luta de uma política mais transparente, em que todos nós cidadãos temos acesso sobre o que acontece dentro da política internacional? Ou seria esse um momento constrangedor, no qual a invasão de um sistema que gasta milhões de dólares em segurança foi invadido facilmente, colocando todas as caras para bater? Uma punição para Julian Assange deveria ser aplicada ?
Entre todos os fatos envolvidos em uma exposição dessa dimensão , fica fácil direcionar a culpa e classificar os mocinhos e os vilões que estão ao nosso redor. Abram os olhos e analisem a situação, pois a explosão de informações sigilosas no Wikileaks continua mais forte do que nunca.





